sábado, 26 de março de 2011

Poesis epilepticus


Quando o sorriso não escorre mais da boca e ela não consegue mais dar beijo vazio, isolo-me. Calada observo, submeto-me aos dias, meses e anos ao constante desalento, cativo, cíclico, besta.

Desalento besta escorre viscoso

dia lento

desalento sólido, ermo

invade a tarde

instala-se

estala-se de não-deixar-fazer-nela-febril

sol indardendo

longe

dias contando dias

querendo

desalento todo

findo

Um delírio anêmico

um pífio

um mono

um oco

Inodoro desvario

delírio anêmico

entrar em mim

impregnar de mim

ficar eu

ficar em mim

onipotência lúdica

omnipotencia lúbrica

delírio anêmico

Algo não ecoa por aqui

alegoria lúgubre

algo não ecoa por aqui,

híbrido medo

destilada falta

na noite morna

algo não ecoa por aqui

algo não ecoa por aqui

Mentiras táteis

Sinapses secas

Sintaxe áfona

Retórica átona

Sonhos disléxicos

Mistura esdrúxula

algo não ecoa por aqui

carícias flácidas, incontundas

verborreia solta

verborreia desenfreada

caoticamente poética

nada lento

tédio pontua o silêncio

Te penso meu amor louco, tóxico

te pensava forte e com ares de senão sempre

ainda muito

te penso meu amor agora

daqui a pouco

há dias te chorava

te penso mas não perdoo

tua agulha

libertou-me de ti, tal um istmo, por onde arrasto-me

te penso meu amor tóxico como quem hesita

titubeias em minha alma

Melissas rosa pra alegrar

a vida vazia de lírica

Vãs veleidades minhas

insanas

insones

incôngruas dúvidas

dormentes, tênues

perene embaraço

dos anos revolutos

a esmo

sem berço

cíclica gravidez de eus

múltiplos, confusos

dementes

sedentos

de vida lépida

Minha hermética prosa

repousa, ousa

escorre sem causa

razão disléxica falsa

nata

frouxa nevrose

na noite alta